01O que se vê primeiro
O perfil dele não é plano.
Linguagem alta. Leitura social dentro do esperado. É por isso que ninguém desconfiou de nada até agora: nas duas coisas que aparecem em uma conversa de dez minutos, ele vai bem.
Fica salvo neste navegador. A opção de alta legibilidade usa a Atkinson Hyperlegible, desenhada para que letras parecidas não se confundam.
Neurodivergência não é uma fase e não é algo que se supera. É um modo de funcionar que esteve sempre aí, atravessando a forma como você presta atenção, se organiza, sente e se relaciona com as pessoas. A avaliação não existe para corrigir isso: existe para descrever com precisão o que já está lá, e para te dar as palavras.
Passe o cursor pelas áreas do diagrama, ou use os botões.
Isto não serve para diagnóstico. Reconhecer-se em vários pontos é comum e esperado — é exatamente por isso que a avaliação existe: separar o que se sobrepõe.
das pessoas autistas também preenchem critério para TDAH. Não é raro. É quase metade.
Rong, Yang, Jin & Wang (2021). Prevalence of ADHD in individuals with autism spectrum disorder: a meta-analysis of 63 studies. Research in Autism Spectrum Disorders, 83, 101759Passei a vida achando que todo mundo se esforçava tanto quanto eu e só reclamava menos.
pessoas autistas adultas relata ter recebido antes um diagnóstico psiquiátrico que considera equivocado. Entre mulheres, 1 em 3.
Kentrou, Livingston, Grove, Hoekstra & Begeer (2024). Perceived misdiagnosis of psychiatric conditions in autistic adults. eClinicalMedicine, 71, 102586 (n = 1211)Não é que eu não queira. É que entre querer e começar existe uma distância que ninguém mais parece atravessar a pé.
Até o DSM-5, era proibido diagnosticar autismo e TDAH na mesma pessoa. Muita gente que hoje tem os dois cresceu sob uma regra que dizia que isso não existia.
American Psychiatric Association — Highlights of Changes from DSM-IV-TR to DSM-5: "a comorbid diagnosis with autism spectrum disorder is now allowed"Me disseram que eu tinha potencial. Ninguém me disse o que fazer quando o potencial não vira entrega.
era a idade média das pessoas no maior estudo sobre diagnóstico tardio. Descobrir depois dos 40 não é exceção.
Kentrou, Livingston, Grove, Hoekstra & Begeer (2024). Perceived misdiagnosis of psychiatric conditions in autistic adults. eClinicalMedicine, 71, 102586 (n = 1211)A parte difícil nunca foi fazer. Foi fazer parecendo que não custava nada.
Um exemplo
Este é o perfil de um rapaz de 20 anos com TDAH. Ele passou no vestibular, tem amigos, conversa bem. E ainda assim algo não fecha. As barras mostram o que ninguém vê de fora.
Constância do desempenho
Atenção sustentada
Funções executivas
Memória de trabalho
Leitura social
Linguagem
Caso hipotético: homem, 20 anos, TDAH. O formato do perfil segue o padrão descrito na literatura — maior comprometimento em constância do desempenho, atenção, memória de trabalho e funções executivas, com linguagem e leitura social preservadas. Não é o resultado de uma pessoa real. Pievsky & McGrath (2018). The Neurocognitive Profile of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: A Review of Meta-Analyses. Archives of Clinical Neuropsychology, 33(2), 143–157
01O que se vê primeiro
Linguagem alta. Leitura social dentro do esperado. É por isso que ninguém desconfiou de nada até agora: nas duas coisas que aparecem em uma conversa de dez minutos, ele vai bem.
02Onde o perfil cai
Constância do desempenho, atenção sustentada, funções executivas e memória de trabalho. Não é que ele não consiga — é que não consegue de forma previsível. Ontem entregou, hoje travou, e nenhum dos dois dias explica o outro.
Pievsky & McGrath (2018). The Neurocognitive Profile of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: A Review of Meta-Analyses. Archives of Clinical Neuropsychology, 33(2), 143–15703O que custa
Quanto mais baixa a primeira, mais alta a segunda. Para produzir um desempenho comum nos domínios em que ele tem dificuldade, ele gasta quase tudo — e é isso que ninguém em volta consegue enxergar, porque só o resultado aparece.
Livingston, Shah & Happé (2019). Compensatory strategies below the behavioural surface in autism. The Lancet Psychiatry, 6(9), 766–77704Por que isso muda a conversa
É a explicação que ele ouviu a vida inteira, e ela não sobrevive a um perfil assim. O laudo troca uma acusação por uma descrição: onde exatamente está a dificuldade, quanto ela custa, e o que fazer a respeito.
Quando quiser
Você não precisa contar nada sobre você para perguntar. "Quero uma avaliação" já basta, e "só quero saber o valor" também.
Antes do primeiro encontro
Nada aqui é pegadinha e nada aqui é surpresa. Se ficar faltando alguma informação, pergunte antes de marcar.
Um olhar que também vem de dentro
Minha trajetória com a neuropsicologia começou ainda nos estágios da faculdade, há cerca de 15 anos. Naquele período, acompanhei principalmente avaliações de pessoas idosas com suspeita de doença de Alzheimer e outros quadros demenciais. Foi ali que nasceu meu interesse por compreender como cada pessoa percebe, organiza e responde ao mundo — e como mudanças sutis na cognição podem atravessar toda uma história de vida.
Durante sete anos, também atuei com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Essa experiência ampliou meu olhar para além dos resultados dos testes, permitindo compreender com mais profundidade a relação entre cognição, emoções, comportamento e contexto.
Nos últimos anos, passei a concentrar meu trabalho em autismo, TDAH, altas habilidades/superdotação e outras manifestações da neurodivergência, especialmente em adultos que chegaram à vida adulta sem compreender plenamente algumas de suas diferenças, dificuldades e potencialidades.
Esse interesse não é apenas profissional. Minha própria experiência com a neurodivergência despertou, desde cedo, uma busca por compreender os mecanismos da mente e da cognição. Por isso, conheço também por dentro o impacto que pode ter encontrar uma explicação coerente para aspectos da própria vida que, durante muito tempo, pareciam desconectados.
Hoje, realizo atendimentos em minha clínica, em Foz do Iguaçu, Paraná, e também on-line, quando essa modalidade é técnica e clinicamente adequada. Meu trabalho busca oferecer uma avaliação cuidadosa, individualizada e contextualizada — capaz de produzir não apenas resultados, mas uma compreensão mais clara sobre a pessoa, sua trajetória e sua maneira singular de funcionar.
Para profissionais que encaminham Informações para encaminhamento
O passo a passo
São quatro etapas, sempre nesta ordem. Quantos encontros cada uma leva depende do que a avaliação precisa responder e do seu ritmo — isso é decidido junto com você na primeira etapa, não antes.
Se eu demorar para responder, pode mandar de novo. Não é insistência, e não incomoda.
Se você preferir receber as perguntas por escrito antes, é só pedir no primeiro contato.
Eu digo o formato antes de cada teste, inclusive quando tem cronômetro. Ser pego de surpresa por um cronômetro muda o resultado, e não é isso que a gente quer medir. A quantidade de encontros depende da pergunta definida na etapa 2, e você sabe o número antes de começar.
Combinamos o prazo do relatório na devolutiva, e eu cumpro o que combinar.
À distância
Parte do processo pode ser feita a distância, e parte não. Vale entender a diferença antes de marcar, porque ela é técnica e não é negociável.
Se você precisa saber de algo que não está aqui, pergunte antes de marcar. Pedido de adaptação também entra, e não precisa vir justificado.
Sem pressa
Não tem hora certa e não tem fila. Se você mandar mensagem hoje e sumir por um mês, a gente retoma de onde parou.
Perguntas diretas
Sem rodeio. Se faltar alguma, pode perguntar por texto.
Serve. O laudo psicológico traz o diagnóstico provável de acordo com as características levantadas e os resultados colhidos, e isso é diagnóstico psicológico — função privativa do psicólogo desde 1962. O que ele não é, é diagnóstico médico: investigar causa clínica, pedir exame e prescrever medicação é do médico. Na prática, algumas portas ainda pedem laudo médico — CIPTEA, perícia, parte dos planos de saúde. Nesses casos o meu relatório não é substituído: ele chega junto, já respondendo boa parte do que o médico precisaria levantar.
CFP — Validade e alcance do diagnóstico psicológico (janeiro de 2026): tratar o diagnóstico psicológico como ato exclusivamente médico contraria a Lei nº 4.119/1962O valor do processo completo é informado no primeiro contato, junto com as formas de pagamento e a possibilidade de parcelamento. Não publico o valor aqui porque o Código de Ética do Psicólogo proíbe usar preço como propaganda (Art. 20, alínea d). Não é para te fazer entrar em contato: se você pedir só o valor, eu mando só o valor.
Código de Ética Profissional do Psicólogo, art. 20, alínea d (CFP)Entre 4 e 8 encontros. Se houver disponibilidade para marcar as sessões em dias seguidos, o processo inteiro leva cerca de duas semanas. Se o seu ritmo pedir mais espaço entre os encontros, leva mais — e isso não estraga nada, o intervalo não interfere no resultado. O relatório escrito fica pronto de 3 a 5 dias depois da devolutiva.
Não. Você pode procurar por conta própria. Se você tem encaminhamento, traga; ajuda, mas não é requisito.
A gente escreve. Se ficar difícil sustentar o encontro, a gente para e remarca. Perder a fala sob estresse não é falta de colaboração e não invalida a avaliação.
Pode. A pessoa pode ficar na sala durante a entrevista inicial ou esperar do lado de fora. Em algumas etapas de teste eu vou pedir para ela esperar fora, porque a presença de outra pessoa interfere no resultado. Eu aviso quando for o caso e explico por quê.
Se precisar faltar por indisposição ou por qualquer questão pessoal, avise com pelo menos 6 horas de antecedência. Não precisa dizer o motivo, e não precisa justificar. A partir de mais de três cancelamentos seguidos, a sessão desmarcada passa a ser cobrada pelo valor cheio de uma sessão — não é multa, é um horário que ficou reservado e não pôde ser usado por mais ninguém. O valor é o mesmo que eu informo no primeiro contato.
Não. O atendimento é particular. Muitos planos reembolsam avaliação neuropsicológica, mas quanto e em que condições varia de plano para plano e da política interna de cada um — quem confirma isso é o seu plano, não eu. Eu forneço nota fiscal e lista de presença para você pedir o reembolso.
Não. Só adultos, a partir de 18 anos. Se você procura avaliação para uma criança, posso indicar colegas que atendem essa faixa.
O que você manda no primeiro contato serve só para responder e organizar o agendamento. O prontuário e o relatório seguem sigilo profissional e as regras de guarda do Conselho Federal de Psicologia. A política de privacidade explica prazo e direitos.
Como costuma soar
Nenhuma é de uma pessoa específica. São formas de dizer que se repetem tanto, e com tanta gente diferente, que valem estar escritas em algum lugar antes de você chegar.
Eu achava que todo mundo cansava assim e só não ficava reclamando.
Consigo, sim. Só que depois eu apago o resto do dia, e essa parte ninguém vê.
Todo mundo dizia que eu tinha potencial. Ninguém explicou o que fazer quando ele não vira nada.
Já me deram três diagnósticos. Cada um pegava um pedaço e nenhum fechava.
Não é falta de vontade. É que entre querer e começar tem um buraco, e eu não sei atravessar.
Eu me preparo dois dias antes para uma ligação de cinco minutos.
Cheguei aos quarenta sem saber que dava para perguntar.
Contato
Escolha o meio que for mais fácil para você. Nenhum é o preferido, e nenhum atende mais rápido que o outro.
Só pede o necessário para responder. Não pergunta nada sobre saúde, sintomas ou histórico — isso não é assunto de formulário.
Vou responder pelo meio que você escolheu. Você não precisa fazer mais nada agora.